quarta-feira, 19 de março de 2008

Usina de Paiquerê ameaça sítios arqueológicos e florestas raras


A hidrelétrica de Paiquerê no rio Pelotas (foto acima - copiada do site www.inga.org.br - fronteira norte entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina) é uma das obras prioritárias do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento do governo federal). Há uma grande pressão política para que a obra aconteça. O licenciamento aconteceu em 2005, mas foi interrompido devido a falhas no estudo de viabilidade da Engevix, pelo que entendi é a empresa responsável pela obra. Inclusive esta empresa omitiu diversas informações sobre a fauna e a flora com o relatório da hidrelétrica de Barra Grande, já construída também no rio Pelotas, e foi multada pelo Ibama em R$ 10 milhões de reais pelo caso. Além disso, está sendo acusada por ambientalistas por esconder informações no caso de Paiquerê.
Na área onde será construída a usina de Paiquerê uma equipe de arqueólogos trabalhou em uma pesquisa de campo (veja a matéria completa no Armazém da Notícia) e encontraram 42 sítios arqueológicos. Estes sítios podem sumir com a construção da hidrelétrica. De acordo com os especialistas responsáveis pela pesquisa o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) feito pela empresa Engevix não contemplou de forma necessária a riqueza arqueológica da região. O responsável pelo aspecto arqueológico do Estudo da Engevix não teria nem mesmo comparecido ao local, usando apenas livros para elaborar as descrições que constam no relatório. A desatenção sobre esses dados pode comprometer parte importante da história e cultura do Estado e do gaúcho que seria muito importante recuperar.
Apesar do licenciamento de Paiquerê ainda estar em análise no Ibama, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, adiantou que a licença prévia deve sair até 31 de Março. Para o biólogo e professor da Ufrgs Paulo Brack, o governo precisa cuidar da preservação das espécies ameaçadas de extinção.
É importantíssimo que os relatórios de impacto ambiental e cultural sejam feitos de forma séria e idônea, para que possamos mensurar quanto uma obra é viável ou não. No caso da usina de Paiquerê não houve nem seriedade nem idoneidade. Além do mais a empresa responsável já tem um histórico negativo com a usina de Barra Grande. Esta é uma situação crítica, tenho certeza que não vale a pena a contrução de uma usina que comprometerá uma região de floresta ameaçada e sítios arqueológicos que contam a nossa história. Além do mais, a usina vai gerar 20 MW, energia suficiente para abastecer apenas uma cidade com 20 mil habitantes, quando por outro lado temos um mapa eólico sub-aproveitado (no RS apenas 1% da capacidade explorada) e disponível para gerar energia muito mais limpa!

Faça sua parte, participe do abaixo-assinado para criação da Unidade de Conservação Refúgio de Vida Silvestre "Corredor do Pelotas" e manifeste-se contrário à construção da Usina Hidrelétrica de Pai Querê no site SOS Rio Pelotas da Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí).

E obtenha mais informações sobre o vale do Rio Pelotas e suas belezas, espécies nativas, relatórios ambientais e dados consistente contra a construção da usina no site do Ingá - Instituto Gaúcho de Estudos Ambientas.

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